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Medicina en Buenos Aires

Entrevistamos alumnos de medicina brasileños en Argentina, para entender mejor sus desafios, motivaciones e sueños. 

(Por ahora, esta publicación está disponible solamente en Portugués)

Ser médico é um sonho inalcançável para milhares de brasileiros. O número de vagas nas federais é mínimo, e as faculdades privadas se aproveitam disso para cobrar mensalidades muito acima da média.

Muitos jovens tentam por vários anos passar no vestibular, mas acabando não conseguindo entrar na carreira dos sonhos por falta de recursos, de tempo ou de vontade.

Mas existe um caminho alternativo, cada vez mais frequente para muitos aspirantes à carreira de medicina: cursar no exterior.  Mais especificamente na Argentina, pois, na teoria, não haveria vestibular nem limite de vagas…

Essa opção gera um debate muito forte no país

  • Por um lado muitos médicos brasileiros criticam as universidades na Argentina, pela superpopulação e pela falta de estrutura, e os brasileiros que saem do país, por não terem tido competência de passar no vestibular.
  • Por outro lado, muitos brasileiros que vão ao exterior criticam o sistema universitário brasileiros por ser muito restrito às elites e não concordam com as criticas às universidades argentinas, dizem que o brasileiro precisa aprender a ser autodidata para se adaptar ao ensino no exterior.

Esses “estrangeiros” acabam sofrendo para voltar ao país devido ao temido REVALIDA, que somente é aplicado aos que se formam no exterior, e não aos formados no Brasil.

Se você está agora na dúvida sobre qual caminho seguir ( anos de cursinho pré-vestibular ou fazer as malas e se mudar), nós entrevistamos alguns brasileiros que vieram à Argentina e talvez te ajudem a se decidir.

Apresento a vocês nossos  futuros médicos “hermanos”:

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Gabriela, de Tenente Portela -RS.

Está no primeiro ano de medicina, pós-CBC.

 

 

Maria Clara

 

 

Maria Clara, de Manhuaçu-MG.

Primeiros anos da carreira. 

Deco

 

 

André Daniel, de Santa Bárbara do Oeste-SP.

Terceiro ano de Medicina. 

 

  1. Suas Motivações

Dream

Maria Clara

Sempre me interessei pela área. O curso de medicina é o mais longo de todas as formações universitárias. E eu tenho certeza de que deve ser analisado bastante pelo aluno antes de cursá-lo, não pelo dinheiro, não pelo status, não pelos motivos clichês, escolhi medicina pela verdade, pela essência, pela possibilidade de contribuir para a sociedade de alguma forma. Optei por estudar no exterior, na Argentina, especificamente, pelo conceito da faculdade em que estudo, pelo corpo docente, suas salas e por suas metodologias ( UBA- UNIVERSIDADE FEDERAL DE BUENOS AIRES).

  • Um dos benefícios de cursar medicina na América Latina é a língua, o espanhol é mais fácil de aprender e em pouco tempo, os estudantes já dominam o idioma.
  • Outra vantagem é o custo de vida, o real é valorizado, equivale a quatro vezes o peso argentino. Sabendo que o custo para financiar uma faculdade privada no Brasil gira em torno de 4 a 7 mil reais mensais, estudar no exterior se torna mais barato.
  • E por fim, o maior proveito de todos: a bagagem adquirida. A experiência cultural de morar em outro país é a forma mais válida de crescimento pessoal e profissional, conhecer outras vivências. E aprender a se habituar a elas é uma forma incrível de quebrar paradigmas e de compreender melhor os aprendizados alheios

Gabriela 

Sempre quis medicina, desde pequena foi um grande sonho. Quando cheguei perto do fim do Ensino Médio bateu o pânico, “e se eu não passasse no Brasil?”

Busquei varios cursos caso eu não passasse em medicina. Quando eu terminei o 3 ano, prestei  ENEM para públicas e vestibular para particulares.  Como eu não consegui passar nos vestibulares, comecei a buscar cursinhos.

Alguns amigos me recomendaram Medicina em Buenos Aires e Santo Tomé. Busquei na Internet e em dezembro 2014 decidi vir. Até 10 de janeiro mandei papéis e 4 de fevereiro vim pra cá.

Daniel André

Essa pergunta é uma super historia. Eu não tinha interesse algum em estudar, menos ainda medicina.. então um dia meu pai fez uma proposta, e eu resolvi vir pra buenos aires pra curtir a vida, sair, badalar, e depois falaria pra ele que não acompanhei a faculdade, que é muito difícil, etc..

Mas por problemas pessoais, não pude voltar.  Acabei me apaixonando pela carreira, gostei de viver na cidade, e enfim.. to até hoje firme e forte!

2. CBC ou ENEM?

Study

Gabriela 

CBC e ENEM não são tão diferentes. A diferença é que o ENEM é uma prova de todas matérias e pronto. No CBC, você precisa aprovar 6 matérias durante todo um ano. Acho mais válido o CBC, porquê todos que alcançarem a média 7 vão ser chamados pra faculdade.

Se de 500 inscritos, 500 passarem, todos vão entrar.

Já no Brasil há poucas vagas, e isso limita muito. Não adianta ser bom, você tem que ser o melhor de todos. Você acaba nunca sendo bom o suficiente pra chegar lá. Tem q ter muita dedicação, tempo, sorte, influências… O que não é tão justo.

Na Argentina, o CBC não é moleza. Não é medicina sem vestibular. Tem esse processo que não é fácil, mas que abre portas a todos, não tem uma limitação.

Daniel André

Pra ser bem sincero, eu prestei ENEM uma vez na minha vida, e foi por fazer… Mas eu acho que as principais diferenças entre o CBC e o vestibular é o modo de avaliação do aluno.

  • No vestibular você é avaliado em uma pancada só, com cento e tantas perguntas, + redação e segunda fase. Eu particularmente acho bem complicado.
  • Já no CBC, você faz literalmente um curso, onde vai aprovando as materias de pouco a pouco. Ou seja, uma vez que você tenha aprovado matemática (por exemplo) você nao precisa estudar mais, diferente do vestibular que quando você reprova uma, reprova tudo.  Acho que o CBC te avalia de uma maneira menos medonha (hahahah) por isso prefiro este.

Maria Clara

O ENEM é um exame realizado apenas uma vez ao ano e que ainda carece de muitas melhorias, porque a prova se torna injusta com os estudantes. Melhorias na correção, no número de questões, de dias etc.

O CBC consiste em um curso oferecido gratuitamente pela faculdade, e que possibilita ao estudante cursar a carreira almejada. Nele, são disponibilizados aulas, tutorias e materiais on-line.

Tudo vai depender, fundamentalmente, do aluno, de ele estudar ou não.

Eu considero o CBC melhor, pois é uma forma de democracia, é a educação oferecida gratuitamente ao povo. Daí, pela meritocracia, o estudante será merecedor de uma vaga na faculdade com base em seus esforços, pois o CBC oferece todas as oportunidades de ele entrar.

3. Suas dificuldades.

Buenos Aires

Gabriela 

“Tive muitas dificuldades. Na chegada não sabia falar espanhol direito. Tinha uma noção de espanhol que aprendi na escola, mas uma pronúncia voltada ao espanhol da Espanha. E o Argentino tem um sotaque diferente.

No inicio ia ao mercado e pedia um “pollo (poio)”, mas eles não entendiam… era “pollo (pocho)”.

Também tive dificuldade em me adaptar a cidade, pois sou do interior, uma cidade pequena, tranquila, e aqui tem um agito…

Também foi difícil a saudade de casa. Porque é muito tempo sem poder ir, pela distância, tempo, porquê não há férias toda hora e os feriados nao sao iguais.  Consegui superar pois utilizava o Skype e porque vim com meu namorado, tinha uma pessoa comigo. Outra maneira de matar a saudade de casa foi comprar um cachorro, porque na minha casa tinha vários cachorros. E eu sentia muita falta de um animalzinho. 🙂 ”

Daniel André

Minha maior dificuldade aqui não foi idioma, não foi comida… mas sim o clima. Eu venho de São Paulo, um estado que não é tão quente, mas aqui faz muito frio!!!! E meu psicológico não estava preparado pra tanto frio.

Outra coisa que foi difícil eu me adaptar (e que de fato até hoje estou em fase de adaptação): AULAS! Eu não entendia nada, ia pra aula e ninguém ensinava, só tiravam duvidas, explicavam alguns (poucos) temas, e eu me sentia um peixe fora d’água.

Mas depois fui me acostumando a estudar, ou pelo menos ler o tema antes (que é o método daqui) e meu rendimento melhorou muito.

Essas foram as únicas 2 coisas que tive problema, claro que é dificil também estar longe de casa, da familia, dos amigos, mas uma pessoa que vem pra outro país estudar sabe que para esse problema não tem muita solução

Maria Clara

Os métodos de ensino usados no exterior não são os mesmos que os do Brasil, então isso dificulta um pouco. É claro que é árduo se adaptar a uma nova cultura no início, mas eu fui muito bem recebida pelas pessoas, pelos professores e pela Argentina, no geral.

Foi complicado me adequar aos hábitos alimentares deles, menos regrados com horários, e não tem as comidas típicas ou de que eu goste no meu país, óbvio, rs, mas não é impossível.

 

4. Depois da faculdade?

Doctor

Maria Clara

Eu pretendo trabalhar um pouco aqui, mas também quero revalidar meu diploma no Brasil e oferecer meu trabalho a outros países. O REVALIDA é um instrumento necessário de capacitação profissional, porém, as provas contém um nível exacerbado de dificuldade, em que sequer os estudantes de medicina brasileiros conseguem fazer, o que denota certo preconceito e excedida burocracia no processo.

Gabriela 

Vim com o propósito de voltar a trabalhar no Brasil. Mas, chegando aqui, já comecei a pensar diferente. Pensei em ficar um pouco aqui, ou ir para a Espanha.

Se não tiver a oportunidade, voltarei ao Brasil para fazer o REVALIDA. O qual acho que é muito importante e que deveria ser feitos por todos, formados no Brasil e no exterior, porque atualmente é uma grande discriminação.

No Brasil há muitas universidades novas e estão saindo profissionais pouco qualificados.

Por isso todos deveriam fazer a prova. Não há o que temer.

Alguns brasileiros dizem que só porque estudaram anos de cursinho são mais qualificados que nós, que fizemos “medicina sem vestibular”. Eles acham que é moleza, que vamos sair desqualificados. Mas porque eles não fazem  o REVALIDA então? O mínimo que um médico deve fazer é um exame, pois nossa profissão tem muitos riscos e qualquer erro pode levar à morte.

Daniel André

O futuro continua sendo uma incógnita na minha vida. Eu não sei o que vou cozinhar no almoço, imagine o que vou fazer daqui 3 ou 4 anos… (hahahah brincadeira), mas eu pretendo voltar para o Brasil, e sim, farei o revalida.

Acho que em todas as carreiras deveriam existir um exame estilo ao revalida, ou ao exame de OAB como tem em direito. Não porque descrimina, mas sim porque mantém um nível considerado da qualidade.

Até porque hoje em dia vemos cada classe de medico que pensamos: “Como essa criatura pode se formar e atuar na area?”

Sim, eu acho que é um exame necessário, mas não só pra quem vem de fora, deveria aplicado a todos os formandos de todas as carreiras.

5. Se pudesse voltar no tempo…

carta

Daniel André

Minha recomendação seria: METE A CARA! Por um momento eu cheguei a pensar em desistir, não vir mais pelo fato da distancia, e também pello fato de ser meio aterrador você morar sozinho em um pais onde você não conhece ninguém, não fala o idioma, não tem onde ficar, etc…

Mas depois que eu cheguei aqui, vi que as coisas vão se ajeitando, se você se preocupar em correr atrás (o que não é tão complicado como a gente pensa que é)

Eu queria muito mudar minha vida, sair da “mesmice”, mas não sairia do lugar se não desse o primeiro passo. E não me arrependo de nada que tenha feito até agora, afinal não teria chegado onde estou agora se não tivesse coragem de sair de baixo da asa dos pais.

Gabriela

Teria me organizado mais cedo. Buscado mais informação.

Cheguei muito inexperiente e muitos brasileiros me passaram pra trás, em imobiliárias (que me cobravam garantias e comissões a mais) e assessorias educacionais (que aproveitaram meu desespero e minha falta de opções para propor serviços a mim que eu acabava aceitando). E isso me dificultou bastante

Se eu voltasse no tempo teria me organizado a partir do 1 ano do Ensino Médio, teria me organizado antes de vir,  teria vindo por conta própria sem assessoria e teria feito um curso de espanhol focado no espanhol argentino.

A assessoria ajuda, mas também atrapalha. Porque não é o mesmo que você fazer as suas coisas.

Se quiser algo bem feito, você mesmo deve fazer, e não depender dos outros.

Eu não viria tão ingênua, abriria mais os olhos para não ser enganada.

Não me arrependo de ter vindo, teria tomado a mesma decisão novamente. Viria a Buenos Aires, pois gosto muito daqui, me adaptei muito bem, fiz muitos amigos (Brasileiros e Argentinos). É uma experiencia única, sem explicação, que vale muito a pena. Indico a todos.

Maria Clara

Diria a mim mesma para ir com a cara e com a coragem, que apesar da saudade e de todas as adversidades, é assim que se conquista seus propósitos, que se consegue o mundo. E diria para levar uns saquinhos da minha comida preferida, rsrs


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Creditos

Fotografía: Ente de Turismo del Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires.

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